No final dos anos 70, Bob Marley e Johnny Lydon trocaram de lugar. O roqueiro do Sex Pistols foi à Jamaica para recrutar artistas de reggae local para a gravadora Front Line de Richard Branson (Fundador da Virgin Records). Marley foi para Londres (Logo após o atendado que sofreu na Jamaica) e ficou na badalada Kings Road, em Chelsea, unindo forças com Punk Rockers. Esse intercâmbio cultural entre os "Rebeldes Com Ideias Semelhantes",uma referência entre os Rastas e os Punks, foi único e muito mais amplo do que imaginamos, pois deu origem a vertentes , uma delas foi o Reggae-Punk no final dos anos 70.

John Lydon - Fundador dos Sex Pistols

Antes do reggae, havia música Ska. Ska foi a trilha sonora de uma Jamaica recém-independente, que se libertou do domínio colonial britânico em 1962. Ele evoluiu para um ritmo mais dançante conhecido como Rocksteady - com um estilo vocal fortemente influenciado por cantores de soul americano. Isso, por sua vez, lançou as bases para a exportação mais famosa da Jamaica: o Reggae.

Jornal Jamaicano Daily Gleaner em comemoração da Independência

Em 1948, os jamaicanos começaram a deixar a ilha no Empire Windrush (antigo navio passageiro conquistado pelo governo do Reino Unido da Alemanha logo após o fim da primeira guerra mundial, o chamado "Prêmio de Guerra") para o "país mãe", atraídos pela promessa de melhores perspectivas de trabalho. Eles levaram suas músicas com eles. Em 1968, a gravadora Trojan foi estabelecida na Grã-Bretanha para atender à crescente demanda pelo som.

"Até então, era a trilha sonora de nossas vidas", diz Chris Lane, co-fundador das lojas de discos Dub Vendor em Londres e da gravadora britânica Fashion Records.
"Você ouvia nos clubes juvenis, as crianças na escola estavam comprando reggae. Estava em todo lugar, e onde eu morava não era uma área negra."

Empire Windrush


Lane também era um skinhead original, e eles estavam entre os primeiros brancos da Grã-Bretanha a abraçar a música jamaicana. "Havia dois lados no visual skinhead", diz ele.

"Havia uma aparência áspera em que você usava jeans, botas e suspensórios, e uma aparência inteligente com um belo terno com uma bela camisa e gravata". Mas os jamaicanos, como o pioneiro do reggae Stranger Cole, lembram dos skinheads como os primeiros fãs internacionais do gênero. 

"Nós pensamos neles como pessoas brancas com pele negra", diz ele.

No final da década de 1970, uma nova subcultura estava se formando em Londres: o Punk Rock, visto como uma saída cultural e intelectual para os jovens brancos e descontentes da Grã-Bretanha. A sede do movimento era uma boate subterrânea em Covent Garden (Distrito de Londres) chamada The Roxy.

Grupo Skinhead Reggae. Fig. 1

Grupo Skinhead Reggae. Fig. 2

Clube The Roxy em Londres

Embora tenha ficado aberto apenas por 100 dias, ajudou a lançar carreiras de bandas como The Clash, The Damned e a pioneira do punk, The Slits. Nesse meio, havia Don Letts, um inglês-jamaicano que se tornou DJ residente no local.
"No inicio não havia discos punk para tocar, então eu toquei um DUB", diz ele.
"E para minha sorte, os punks também gostaram. A música tinha uma vibração, o que obviamente chamou a atenção deles. Eles adoraram as linhas de baixo e, verdade seja dita, também não se importaram com a erva". Diz ele.


Don Letts na porta do The Roxy

Quando os Rastas e os Punks se tornaram amigos, as bandas britânicas começaram a absorver o som do reggae. "Nós definitivamente fomos influenciados pelo reggae. Há muito tempo que o reggae ainda é minha música favorita", diz Tessa Pollitt, baixista do The Slits.
Segundo Letts, o "Punk Rocker" com maior sincronia com o reggae foi o líder dos Sex Pistols, John Lydon (AKA Johnny Rotten).
"Fui criado, desde os primeiros dias dos skinheads", disse John durante uma entrevista de rádio, onde falou longamente sobre seu amor pelo reggae.

Em 1978, após o fim dos Sex Pistols; Lydon viajou para a Jamaica. O chefe da Virgin Records, Richard Branson, estava procurando desenvolver o relacionamento entre punk e reggae. Então, ele convidou Lydon para ir a Jamaica, junto com ele para buscar contrato com artistas de reggae para a sua gravadora.

"Eles amaram John Lydon na Jamaica”, lembra Letts, que também foi ao passeio.
"Os Jamaicanos amam um homem com cara de mau, seja um gângster, seja um Clint Eastwood no Oeste"
"Eles realmente não sabiam muito sobre música punk rock ... mas estavam cientes pelos jornais que John Lydon que ele era o inimigo número um do Reino Unido".


The Slits


Lydon no quintal de U-Roy

Graças a um gerente de mídia experiente, os Sex Pistols foram os garotos-propaganda do punk rock. Eles fizeram jus à sua imagem, vomitando no palco e satirizando o jubileu da rainha em 1977 com o lançamento de God Save The Queen. Eles foram banidos de vários locais em sua turnê pelo Reino Unido em 1977 - garantindo que a reputação de Lydon como o bad boy do rock precedeu sua chegada à Jamaica. Branson reservou o primeiro andar do que era o Sheraton Hotel em Kingston e artistas vieram de todas as partes para se encontrar com o chefe da gravadora.
"Houve um êxodo no hotel tentando conseguir um acordo com Richard Branson", diz Letts. "Foi uma loucura."

Marley, o rei do reggae, estava notavelmente ausente da reunião no Sheraton. Nos anos 70, a violência política dividiu Kingston. As armas foram fornecidas aos guetos do centro da cidade em troca de sua lealdade política a qualquer um dos dois principais partidos políticos. Em 1976, após uma tentativa de assassinato, Marley fugiu para a segurança de Londres. Lá, ele descobriu o punk rock, com a ajuda de Letts.
Letts explicou a Marley que havia mais no punk rock do que o retrato negativo da cena nos tablóides.

"Você está errado sobre isso, há algo acontecendo. Eles [punks] são rebeldes com a mesma opinião."

Polêmica música dos Sexs Pistols - God Save The Queen

Don Letts e Bob Marley

Marley ficou mais informado sobre a cena punk rock e foi inspirado a escrever a música Punky Reggae Party. Sua letra referenciam bandas do The Roxy: 

"Wailers be there
The Dammed, The Jam, The Clash
Maytals will be there
Doctor Feelgood too, ooh
No boring old farts, no boring old farts, no boring old farts" (Trecho da música Punk Reggae Party)

Em uma versão não lançada, ele também mencionou The Slits, mas depois removeu a letra.
"Agora me pergunto por que isso aconteceu", ri o baixista Pollitt do grupo The Slits.
"É porque éramos mulheres?"
Letts concorda: “As Slits eram como essas temíveis mulheres amazônicas que não se importavam com ninguém… e os homens não podiam lidar com isso! Até mesmo Bob Marley.



Vinil 12' (1977)

Foi durante seu período no exílio em Londres que Marley gravou sua obra-prima, o álbum Exodus.  A faixa-título do álbum Exodus, de 1977, pedia aos negros que deixassem o estado opressivo conhecido como "Babilônia" e retornassem à pátria Africana, como profetizou Marcus Garvey. Esse ensino é fundamental para o movimento Rastafary, e Marley foi o navio para levar essa mensagem ao mundo. Marley também gravaria seu próximo álbum, Kaya, em Londres, lançando-o antes de seu retorno triunfante à Jamaica, onde uniu os líderes dos dois partidos políticos em guerra no palco, diante de 32.000 pessoas no concerto One Love, em 1978.


Bob Marley no épico concerto One Love, junto com Michael Manley e Edward Seaga


Muitas pessoas afirmam que Letts começou "a festa Punk Do Reggae", mas na opinião dele, isso é apenas parcialmente verdade. O movimento Skinhead introduziu a música Jamaicana em ícones punk como Lydon e Joe Strummer, do Clash, muito antes do The Roxy abrir suas portas.

Fonte
http://www.bobmarley.com/
https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Branson
https://www.abc.net.au/news/2019-03-18/the-slits-rehearsal,-1977-1/10903604
http://www.clintonlindsay.com/2019/03/20/bob-marley-johnny-rotten-the-story-behind-punky-reggae-party/
https://afropunk.com/2012/09/punk-rock-and-reggae-a-love-story-in-2-acts/

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Helder - 05/09/2019 06h26
Salve salve , sou de Natal/RN e olhem que coincidência , sou um Reggae man e o grupo Punck do RN gosta muito de mim . Kkkk